quinta-feira, 16 de abril de 2015

Mark Arnold-Forster realidade e ficção se misturam

O jornalista e escritor Mark Arnold-Foster, ficou famoso por causa de seu livros The Wolrd at war, que acabou virando série de televisão em 1973. Mark vem de uma família com estritas relações com as letras, tendo contado com escritores como Virginia Wolf, entre outros.

Aos sete anos, Mark vai estudar em um colégio interno na Suíça, mais precisamente na região francesa daquele país. Dois anos depois vai estudar em Salem na Alemanha. Em 1933, quando Hitler chega ao poder, Mark parte para o exílio, indo estudar na Escócia, onde estudou até 1937.

Com esta educação variada, Mark se torna fluente em francês e alemão e volta para a Inglaterra, onde vai estudar mecânica na Trinity Hall, em Cambridge. Entretanto, ele não chegou a se formar e entra para a Marinha Real, servindo durante a Segunda Guerra Mundial. Chegou a ser tenente. Em 1946, passou a reserva. No mesmo ano, Mark Arnold, passou a trabalhar no jornal The Guardian, inicialmente em Manchester, passando depois a ser correspondente na Alemanha.

Nesse período em que trabalhou na Alemanha, escreveu sobre o período pós-guerra e o bloqueio de Berlim, em 1948. No ano seguinte, tornou-se correspondente de trabalho. Se juntou ao The Observer como correspondente político. Mas em 1963, se desentende com o jornal após um problema relacionado a uma mudança editorial a um dos seus artigos. Demitiu-se e retornou para o The Guardian como chefe editorial.

Durante sua atuação como correspondente político na Alemanha, Mark Arnold-Foster, acompanhou a construção do Muro de Berlim. Essa matéria foi publicada pelo The Guardian e posteriormente republicada no livro “O Grande Livro do Jornalismo”.


Anos depois passou a trabalhar na ITN, trabalhando como vice-editor de Sir Geoffrey Cox. Na década de 1970, escreveu o livro e a série The World at War, com narração de Laurence Olivier e Jeremy Isaacs como produtores. Continuou escrevendo para o The Guardian, até 1981, quando faleceu vítima de câncer, em sua casa em Londres no dia de natal. Foi cremado em janeiro de 1982.

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Merryman Smith, jornalismo e história se misturam

Merriman Smith nasceu na cidade de Savannah, na Geórgia no dia 10 de fevereiro de 1913 e foi um famoso jornalista. Sempre cobriu política e cobriu a Casa Branca durante anos, trabalhando para a United Press International e seu antecessor United Press.

Merriman começou a cobrir política, ainda nos anos 40, no governo Roosevelt e atuou também na transição dos presidentes Franklin Delano Roosevelt, para Richard Nixon – que seria forçado a renunciar, devido ao escândalo o Watergate -. Adotou como “bordão”, a frase “Obrigado Senhor Presidente”, para encerrar as entrevistas presidenciais.

Em 1946, lançou o livro que tem como título, justamente a frase que utilizava como bordão. O livro relata sua cobertura do governo Harry Truman. No início de suas coberturas políticas, foi designado para acompanhar as viagens presidenciais. Smith acompanhava o presidente Roosevelt em Warm Springs, no dia 12 de abril de 1945, quando o então presidente veio a falecer.

Em 1964, Smith ganhou o Prêmio Pulitzer, pela cobertura do assassinato de John F. Kenedy, em Dallas. No ano de 1967, Smith é condecorado com a Medalha Presidencial da Liberdade, recebendo a mesma do presidente Lybdin Johnson. Sua cobertura sobre o assassinato de Kenedy, anos depois é publicada no livro “O Grande Livro do Jornalismo”.

Abalado pela morte do filho durante a Guerra do Vietnã, Smith se mata com um tiro. Mesmo não tendo servido as Forças Armadas, ele é sepultado no Cemitério Nacional de Arlington, ao lado do filho.

Michael Herr, o contador de histórias

Nascido em Nova Iorque, em 13 de abril de 1940, Michael Herr, é um escritor e jornalista ex-correspondente de guerra que cobriu a guerra do Vietnã para a revista Esquire, onde trabalhou entre os anos de 1967 e 1969. A partir da cobertura da guerra, Herr escreveu o livro de memórias Despachos, onde relata o que viveu no sudoeste asiático.


A reportagem que originou o livro foi anos depois, publicada no “O Grande Livro do Jornalismo”. O livro Despachos foi classificado pelo A Book Review do The New York Times. O romancista John le Carré, chamou a obra de Herr de “o melhor livro que já li sobre homens e guerra do nosso tempo”. Tempos depois Herr foi creditado como um dos pioneiros do gênero literário do romance de não ficção, juntamente com autores como Truman Capote, Norman Mailer e Tom Wolfe.


Além da obra jornalística e literária, Michael Herr é coautor do roteiro do filme Nascido para matar, juntamente com seu amigo Stanley Kubrick. Esse filme foi baseado no romance The Short-Timers de Gustav Hasford. O roteiro foi indicado ao Oscar. Herr colaborou ainda, com a narração de Francis Ford Coppola em Apocalypse Now.

domingo, 12 de abril de 2015

Jornalismo e adrenalina

Jon Krakauer é um experiente jornalista estadunidense, nascido em 12 de abril de 1954, em Brookline, Massachusetts e que se criou em Corvallis, no Oregon. Durante a juventude, Krakauer jogou tênis e em 1976, se formou em Estudos Ambientais pelo Hampshire College. Krakauer é um grande admirador de TrumanCapote e o trabalho deste acaba exercendo forte influencia nos escritos de Krakauer.

Em 1980, Krakauer casou-se com 1980 e três anos depois passa a trabalhar como escritor, passando a viver em Seatle, no estado de Washington. Ganhou popularidade escrevendo para a revista Outsider, da qual também é editor. Também colabora com revistas como National Geografic e a GEO. Venceu o prêmio do Clube Alpino Americano de literatura sobre montanhismo e foi finalista do National Magazine Award.

Em 1996, Krakauer, foi ao Everest fazer uma reportagem sobre a popularidade  das subidas com guia à montanha. Conseguiu mais matéria do que esperava, ao presenciar uma forte tempestade que atingiu a região, que causou estragos aos montanhistas deixando muitos deles isolados, como o neozelandês Rob Hall. O relato desta experiência foi publicado anos depois no livro O Grande Livro do Jornalismo e virou o livro No Ar Rarefeito, publicado em 1998.

Em 1999, Krakauer ganhou o prêmio da American Academy Of Arts Letters, pelo conjunto da obra jornalística.

No início do livro, Na Natureza Selvagem, ele diz “Não tenho pretensão de ser um biografo imparcial. A estranha história de McCandless tocou-me pessoalmente de tal forma que tornou impossível um relato desapaixonado da tragédia. Na maior parte do livro tentei – creio que, em larga medida, com sucesso – minimizar a presença do autor”.

Escrevendo desta forma, o escritor constrói, com momentos de narrativa em primeira pessoa, suas crenças e impressões sobre determinados fatos e paralelos deste com sua vida, aproximando de maneira muito firme o autor, o leitor e os personagens.

A experiência, foi traumática para Krakauer, que depois de superá-lo, escreveu um relato detalhado onde procura analisar os motivos que provocaram o fracasso e a tragédia naquela expedição. Além de ganhar a literatura, a história ganhou também às telas do cinema, com o filme Na Natureza Selvagem.

Krakauer pesquisou a vida de Christopher McCandless, que abandonou tudo para viver uma aventura que se mostrou sem volta. Com o pseudônimo “Alexander Supertramp”, começa sua viagem no oeste estadunidense e é encontrado morto no Alasca. O artigo é publicado na revista Outsider e depois vira livro. O livro também vira filme e ganha o Globo de Ouro, além de uma indicação para o Oscar de melhor ator coadjuvante para Hal Holbrook e melhor montagem.

Krakauer escreveu ainda os livros Sobre Homens e Montanhas, publicados em 1999, uma coletânea de artigos que analisa as razões que levam as pessoas a se lançarem em busca da aventura e do desconhecido, sem medo da morte.

Escreveu também o livro Pela Bandeira do Paraíso, onde relata a história de dois irmãos que pertenciam a uma seita religiosa e que mataram uma mulher e uma jovem de 15 anos, que eram da mesma família. Segundo os assassinos, eles teriam recebido ordens de Deus para cometer o crime. Neste livro Krakauer tenta mostrar que o fundamentalismo religioso é tão perigoso quanto o terrorismo e como é perigoso se achar dono de uma verdade absoluta.

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Joseph Pulitzer, ícone do jornalismo estadunidense

Nascido na Hungria, na pequena cidade de Makó,em 10 de abril de 1847, Joseph Pulitzer, de origem judaica, estudou em Budapeste e com 17 anos decidiu pela vida militar, tentando ingressar nos exércitos austríaco e britânico, entretanto, não teve sucesso nas empreitadas. O motivo era seu fraco estado de saúde, além da visão debilitada.

Em 1864, ele emigrou para os Estados Unidos, onde serviu no exército, em um regimento de cavalaria. Lutou na Guerra da Secessão. Apesar de ter dificuldades com o inglês, Pulitzer era poliglota, fluente em alemão, francês e húngaro. Depois da guerra foi morar em Saint Louis, onde trabalhou como carregador, bagageiro e empregado de mesma.

Neste período, conciliou o trabalho com os estudos de inglês e de direito, que fazia na biblioteca. Passou também a atuar na política, chegando a ser membro da legislatura do Missouri em 1869.

Em 1866, passou a trabalhar como repórter no Westliche Post, um jornal alemão e cinco anos depois adquiriu parte do jornal. Aos 25 anos passa a ser editor e, em 1874 vai para Washington D. C., onde passa a trabalhar como correspondente para o New York Sun. Em 1878, funda em Saint Louis o Post-Dispatchs, tornando-se uma figura proeminente na cena jornalística. O jornal é fundado a partir da fusão de dois outros já existentes, o Dispatch e o Evening Post. No mesmo ano, casa-se com Kate Davis e adquire um maior reconhecimento social.

Em 1883, já em Nova York, Pulitzer compra o jornal The World, que se tornou um dos jornais mais importantes da época. Como editor, começa a se destacar implantando técnicas revolucionárias, admiradas por muitos e criticadas por outros tantos. Pulitzer praticou um jornalismo rigoroso, que gerou muitos seguidores e também muitos críticos. Denunciou a corrupção e foi um defensor e porta-voz da democracia. Lutou junto aos operários por melhores condições de trabalho e também a redução da jornada de trabalho. Atacou grandes companhias e monopólios laborais, defendeu a luta por melhores condições de vida para os mais pobres.

Sua luta, o colocou com um dos grandes responsáveis pela legislação antitruste e pela regulação das companhias de seguro industriais. Foi acusado de jornalismo sensacionalista, passou a utilizar em seus jornais, elementos como o cartoon, além de dedicar  uma página aos esportes e outras ás mulheres, além de sessões voltadas para matérias policiais. Sempre utilizou recursos inovadores como imagens, gráficos, cor e publicidade, além de títulos em letras garrafais.

No ano de 1903, Pulitzer doa para a Universidade de Colúmbia, a quantia de um milhão de dólares, com o objetivo de se criar uma escola de Jornalismo, que começou a ser construída em 1912, nove meses após sua morte. Em 1917, a universidade instituiu o “Prêmio Pulitzer”, agraciando anualmente personalidade do jornalismo e da literatura que tenham se destacado pelo seu trabalho.

Em 1909, o jornal The World publica reportagem sobre um pagamento fraudulento de US$ 40 milhões feito pelos Estados Unidos para a Companhia Francesa do Canal do Panamá. A atuação e resistência de Pulitzer neste caso, se transformou em uma grande vitória para a liberdade de imprensa.

Anos antes, em um texto escrito para a revista The North American Review, o jornalista expôs sua convicção: “Nossa república e sua imprensa vão subir ou cair juntos (...) o poder de moldar o futuro da República estará nas mãos dos jornalistas das gerações futuras”. Pulitzer faleceu em 29 de outubro de 1911, em Charleston, nos Estados Unidos.

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Seymour Hersh: Jornalismo Verdade e Intensivo

Filho de uma família de origem judaica, falante de Yiddish, que emigraram da Lituânia e da Polônia, Seymour Myron “Cy” Hersh, nasceu em Chicago, no dia 8 de abril de 1937, graduou-se em História na Universidade de Chicago e depois foi cursar direito na mesma universidade, entretanto, acabou jubilado de lá, devido às notas baixas.

Após sua saída da universidade, voltou a trabalhar em uma rede de farmácias onde se empregou enquanto estudava. Pouco tempo depois, iniciou sua carreira jornalística trabalhando como repórter policial para o City News Bureau, em 1959. Depois foi trabalhar como correspondente da United Press, em Dakota do Sul.

Em 1963, passa a trabalhar como correspondente da Associated Press em Chicago e Washington. Nessa época, Hersh conheceu Isador Feinstein Stone, um jornalista independente e critico do macarthismo. O jornal de Stone –  I. F. Stone's Weekly – inspira Hersh em seus trabalhos posteriores. Ainda nessa época, Hersh passa a formar seu estilo de jornalismo investigativo, ultrapassando os briefings do Pentágono e buscando entrevistar individualmente os oficiais de alto escalão.

Após desentendimento com a Associated Press, que se recusou a publicar suam matéria sobre as atividades do governo dos Estados Unidos, envolvendo armas biológicas e químicas, Seymour Hersh sai da AP e vende a mesma matéria para a revista The New Republic. 

Hersh passa então a se especializar em reportagens sobre geopolítica e assuntos militares dos Estados Unidos. Em 1968, Hersh trabalhou como assessor de imprensa do senador Eugene McCarthy, que disputou aquela eleição pelo Partido Democrata.

Em 1969, publica matéria onde revela o projeto Jennifer, que consistia na tentativa de resgate dos destroços do submarino soviético K-129, promovida pela CIA, buscando ter acesso a dados e tecnologias soviéticas.

Em 1970, ganhou o Prêmio Pulitzer, pela matéria onde denunciou o Massacre de My Lai, no Vietnã, em novembro de 1969. Escreveu o livro The Price of Power: Kissinger in the Nixon White House, que ganhou o National Book Critics Circle Award. Essa matéria sobre o massacre, é anos depois, publicada no livro “O Grande Livro do Jornalismo”, editado por Jon E. Lewis, publicado no Brasil pela Editora José Olympo, com tradução de Marcos Santarrita.

Em 1974, publica material revelando atividades ilegais da CIA contra organizações pacifistas e outros movimentos políticos de oposição, nos Estados Unidos. Essa matéria levou a demissão de James Jesus Angleton, então chefe da contraespionagem da CIA.

Em 2003 publica o artigo “Selective Intelligence” revelando a existência do Office Of Special Plans (OSP) do Departamento de Defesa norte-americano. Em 2004, Hersh relata as manobras do vice-presidente Dick Cheney e do secretário de Defesa dos Estados Unidos, Donald Rumsfeld para retirar as funções normais de inteligência da CIA, garantindo assim a invasão do Iraque em 2003. Em outro artigo, “Lunch with the Chairman”, sobre o político e lobista Richard Perle, levou Perle a afirmar que Hersh era o que de mais próximo ao terrorismo, existindo no jornalismo estadunidense.

Em maio de 2004, Hersh publica uma série de artigos descrevendo e mostrando com fotos, a tortura de prisioneiros em Abu Ghraib, por militares dos Estados Unidos.

Hersh escreveu ao todo oito livros e contribui regularmente para a The New Yorker em questões militares e de segurança e ainda hoje, desperta polêmicas com suas histórias.

sábado, 4 de abril de 2015

Lautréamont: Pouco conhecido, mas subversivo

Famoso poeta franco uruguaio, Isidore Lucien Ducasse, mais conhecido como Conde de Lautréamont, nasceu em 4 de abril de 1846. Autor de Cantos de Maldoror teve como admirador o escritor francês André Breton, que o considerava um dos precursores do movimento surrealista.

Apesar disso, Lautréamont é um poeta pouco conhecido e são poucas as informações sobre sua vida. Em 1859, mudou-se para a França, onde concluiu seus estudos e fixou residência. Entre as poucas informações sobre o poeta, está o fato de falar e escrever fluentemente tanto o francês, idioma no qual aparece boa parte de suas obras, como também o espanhol.

Acredita-se que seu pseudônimo “Lautréamont” tenha sido inspirado no nome de um romance de Eugène Sue, chamado “Latréaumont” – percebesse uma pequena diferença na grafia da palavra. Quanto ao “título” de Conde, acredita-se ser uma referência ao Marquês de Sade, ou uma maneira de destacar-se da burguesia, entretanto, não há provas que validem nenhuma dessas duas teses.

Lautréamont faleceu aos 24 anos, no dia 24 de novembro de 1870, não há informações sobre a causa da morte.

Seu poema mais famoso, “Os Cantos de Maldoror” formado por sessenta estrofes é considerado uma obra seminal no campo da literatura fantástica, que ainda hoje escape de qualquer classificação.

Para os críticos e o público, sua obra sempre foi polêmica e por isso, era elogiada por muitos, mas criticada por tantos outros. Entre seus defensores, aparece André Breton, que o considerava uma “revelação total que parece exceder as possibilidades humanas”.

Para Léon Bloy, Lautréamont era um louco, “uma ruína humana completa”. Apesar disso, o autor foi se transformando em uma referência, principalmente para os apreciadores do gênero mais subversivo da literatura.

Suas obras mais famosas são:

Les chants de Maldoror (Os Cantos do Maldoror) - O primeiro canto sai anônimo em 1868. Esse mesmo canto seria publicado, novamente, em 1869, na Antologia "Parfum's de l'Âme", também sem identificação de autor. Em 23 de outubro de 1869 é anunciada a publicação de Cantos de Maldoror (I, II, III, IV, V e VI) pelo Conde de Lautréamont, mas os livros foram retirados da venda pelo editor; somente em 1874 o volume chegaria às livrarias.

Poesias - São textos em prosa de natureza ensaística publicados em 1870, ano da morte de Lautréamont.