segunda-feira, 14 de julho de 2014

É hora de recomeçar

Acabou a Copa e com ela chega ao fim a “Era Felipão/Parreira”, na seleção. A CBF já anunciou que a comissão técnica foi “dissolvida” e que em breve anunciará o novo treinador da equipe. Independentemente do resultado na competição, a saída de Felipão e Cia, já era certo que essa mudança ocorreria pós Copa.

Agora é hora de rever os conceitos e mudar muita coisa no nosso futebol em entidade máxima do esporte bretão em nosso país. É preciso mudar a estrutura e a filosofia do nosso futebol. O sucesso alemão deve nos servir de exemplo, não apenas para a seleção, mas para o futebol como um todo. Nos últimos 14 anos eles revolucionaram o esporte na Alemanha e saíram da crise para a conquista do mundo.

É preciso que o Brasil faça isso também. Mais pelo futebol do que pela seleção. Basta ver que a Argentina, que chegou a uma final de Copa depois de 24 anos, também está muito longe de ser um primor em organização do futebol, talvez ficando atrás até do próprio Brasil. Mas eles mostraram resultado na Copa, coisa que o Brasil não fez.

É preciso que a CBF, repense toda a sua atuação, estrutura, metodologia, filosofia e gestão. Que o novo técnico, tenha competência para reerguer o Brasil e fazer com que nossa seleção volte a ser a grande equipe de até bem pouco tempo atrás. Não acredito que a solução em relação aos técnicos esteja na ideia de trazer técnico de fora. Já escrevi sobre isso e apontei os motivos para não acreditar na vinda dos gringos que transformariam nosso futebol.

Entre os técnicos brasileiros, meus favoritos são Muricy Ramalho, que mesmo com o fiasco no Mundial de 2011 com o Santos, tem histórico para treinar a seleção sim. Outro técnico que vejo como boa opção é o Tite, que fez um trabalho quase perfeito no Corinthians e se credenciou para ser o técnico da seleção.

Existe a possibilidade de a CBF assumir um interino até o final da temporada, o que pra mim seria mais um erro. Acho importante que o técnico escolhido agora fique pelo menos até a Copa da Rússia, em 2018. Teremos agora nos próximos meses amistosos interessantes contra a surpreendente Colômbia de James Rodriguez, Falcao Garcia, Armero e Cuadrado e depois jogaremos com o Equador, que também fez uma boa Copa dentro de suas limitações.

Em seguida teremos pela frente, a Argentina na disputa do Super Clássico das Américas, onde não apenas defenderemos o título como também defenderemos a hegemonia do troféu. Que esse seja o desafio perfeito para sinalizar que o Brasil, estará a caminho de sua reconstrução.


E que em 2015, no Chile o Brasil volte a dar alegrias a sua torcida conquistando mais uma vez a Copa América e garantindo assim uma vaga na Copa das Confederações de 2017, até por que o Brasil precisa defender esse título também.

sábado, 12 de julho de 2014

Eu vejo o futuro consolidar o passado



A literatura mundial é rica em obras de ficção que acabam prevendo o futuro, algumas vezes de maneira positiva, outras de maneira assustadoramente negativa. Pelo visto, agora no Rio de Janeiro, vivemos uma clara consolidação de uma ficção de muitos anos atrás.

A decisão judicial e a ação policial que resultou na prisão e detenção de muitos cidadãos ligados as manifestações sociais, que tiveram seu auge em junho do ano passado, mostra que as autoridades do estado são fãs da obra de ficção Minority Report, escrita pelo estadunidense Philip K. Dick (1928-1982). O livro virou filme em 2002, dirigido por Steven Spielberg e estrelado Por Tom Cruise.

Na história, um chefe de uma divisão especial da polícia que atua na prevenção de crimes de homicídio, prendendo os criminosos, antes que os fatos ocorram. Os crimes são previstos por criaturas conhecidas como Precogs. Até que essas criaturas preveem que o mesmo policial se tonará um assassino e por isso deve ser preso. O enredo da história se passa na luta do policial para provar sua “inocência” e consequentemente manter sua liberdade.

Pelo visto, a justiça e a polícia fluminense vivem uma espécie de “Síndrome de Precogs” e busca agora justificar as prisões arbitrárias, que conta também com a participação de outras forças policiais, a possibilidade de novos protestos violentos, que depredem patrimônios públicos e privados e colo quem em risco a integridade física de terceiros.

Tal ação é uma afronta ao Estado Democrático de Direito. Para que algum cidadão seja detido, é necessário que exista uma acusação formal contra o mesmo. Não adianta se basear em suposições futuras ações que podem infringir a lei vigente.

É necessário garantir a todo e qualquer cidadão, o direito a manifestação e a liberdade de expressão, direitos que foram atropelados pelos representantes do poder público. Quem extrapolar dos direitos garantidos pela legislação brasileira deve sim ser responsabilizado, mas somente após a consolidação dos fatos. Caso contrário, estaremos consolidando o passado vislumbrado por Philip K. Dick, em Minority Report e quem já leu o livro e ou viu o filme sabe que o final da história não é algo bom.

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Criatividade: artigo em extinção



Ao menos no Brasil, tão famoso por sua criatividade, seja no dia a dia, na música, na propaganda, no jeito de ser e no futebol alegre que tanto marcou nosso povo e nossa história. Pelo o que vimos nos últimos dias, o país vive uma séria crise de falta de criatividade.

Não sei se podemos classificar de apagão ou caos criativo, mas vivemos esse sério problema é precisamos nos reinventar para sanar essa questão. Não é de hoje que nossa seleção não tinha um futebol criativo e o resultado no Mineirão, diante da Alemanha mostrou isso, mas agora parece que essa falta de originalidade se espalhou pelo país como se fosse uma epidemia.

Dois dias após a eliminação brasileira na Copa, começaram a espalhar histórias que denunciam uma suposta armação para que o Brasil não ganhasse a Copa, para ter benefícios futuros. Lá vamos nós.

Voltemos no tempo, mais precisamente o dia 14 de julho de 1998, em Paris o Brasil decidia sua segunda copa consecutiva e defendia o título diante dos donos da casa. Após uma historia estranha envolvendo o quadro de saúde do Ronaldo Fenômeno, o Brasil jogou muito mal aquela partida e Zidane decidiu para os franceses, 3 a 0. França campeã e jogando muita bola.

Começava alia “Era de Ouro” do futebol francês, que se estenderia até a Eurocopa de 2000, quando eles foram campeões também. Aos brasileiros restava aceitar a derrota, ver o que deu de errado e retomar o caminho de glórias, que inclusive quatro anos depois nos levou ao penta na "Japéia". 

Mas os brasileiros, aficionados por histórias conspiratórias, levantaram a hipótese absurda que o Brasil vendera aquela Copa, para ganhar o direito de sediar a Copa de 2010. Era preciso arrumar uma justificativa para o vice-campeonato, ainda que fosse uma teoria estúpida como essa.

Diziam que Leonardo e Edmundo teriam declarado que o povo brasileiro sentiria nojo da Copa, se soubessem a verdade sobre o que aconteceu em Paris. O tempo passou e o Brasil não sediou a Copa de 2010, que foi na África do Sul. Mas sediamos a de 2014 e com isso passou a ser senso comum que o Brasil tinha a obrigação de ser campeão.

O Brasil jogou feio, mas vinha fazendo o dever de casa para chegar a final no Maracanã e assim, ser campeão em casa. Mas no meio do caminho tinha a Alemanha, que atropelou o Brasil de maneira implacável, 7 x 1 e o Brasil caia na semifinal. Novamente era necessário buscar justificativas para a vergonha – a maior da história da seleção -.

Foi ai que começaram a divulgar mensagens com declarações de Thiago Silva e de alguns outros jogadores da seleção dizendo que o povo brasileiro sentiria nojo da Copa, se soubesse o que aconteceu em Belo Horizonte. Pronto, era o Brasil mais uma vez vendendo a Copa para ter “ganhos futuros” – que seria sediar a Copa de 2022, que por enquanto, será no Catar –. Ou seja, repetem a mesma ladainha de 98, para tentar explicar o inexplicável.

Só mudam os personagens, mas não se dão ao trabalho nem de inventar outra história da carochinha. Isso comprova que o apagão criativo no Brasil não se limita a seleção e a CBF, mas ao que parece atinge em cheio a muitos brasileiros. Lamentável.

P.S.: A Copa do Mundo de 2022 corre o risco de não ser no Catar, por problemas de clima, denúncias de corrupção e utilização de mão de obra escrava, nas obras da Copa, mas por enquanto a FIFA mantém a Copa no Oriente Médio.

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Se fosse para ter um treinador estrangeiro



Após a derrota brasileira no Mineirão e a consequente eliminação do Brasil na Copa de 2014, acabei entrando em um debate virtual sobre a possibilidade de a seleção ser comandada por um treinador estrangeiro. Não é a primeira vez que vejo esse debate e assim como da outra vez, quem iniciou tal questionamento foi a imprensa esportiva, que já fizera isso quando anos atrás a CBF trocou de treinador e o Pep Guardiola vivia seu ano sabático.

Essa situação foi o gatilho para que se iniciasse tal debate. Não era favorável a essa ideia na época e continuo não sendo agora. Entretanto, levanto aqui alguns nomes que poderiam ser lembrados, caso a CBF adote essa medida e aponto, qual desses seria a minha opção.

A primeira opção é obviamente o técnico Guardiola, grande vencedor no Barcelona da época em que o time catalão revolucionou e dominou o futebol mundial. Acho complicado que tal possibilidade se consolidasse, uma vez que Pep ainda está iniciando um trabalho no Bayern de Munique, o que dificilmente permitiria embarcar em qualquer outro novo projeto.

Guardiola é um grande treinador, multi campeão, mas para mim ainda falta um pouco de caminhada para ser o grande treinador que muitos falam. Guardiola é bi campeão da Champions e Mundial e isso o coloca entre os gigantes, mas ainda falta à ele outras conquistas para ser equiparado a outros grandes nomes.

Durante a Copa, surgiram rumores de que Mourinho deixaria o Chelsea para assumir uma seleção, o que é complicado, pois seu trabalho ainda está no início no time londrino, mas em se tratando do luso, nada me surpreende. Acho o portuga um baita técnico, mas não gosto de vê-lo como treinador de uma equipe que eu torça. Já tive essa experiência algumas vezes e mesmo com as conquistas, acho que o resultado geral não foi bom.

Fabio Capello poderia ser um bom nome, entretanto a campanha abaixo das expectativas com a seleção russa nessa Copa e o trabalho focado para a próxima Copa, quando sua seleção jogará em casa, atrapalham qualquer tentativa de tirar o italiano, daquela seleção. Outro ponto negativo para Capello é que seu currículo é menos laureado que o dos treinadores supracitados.

Entre outros grandes treinadores estrangeiros, que vejo como possibilidades nesse caso, temos Carlo Ancelotti e Marcelo Lippi. Ambos da escola italiana, com currículos diversificados e vencedores.

O primeiro, dificilmente viria, pois substituiu José Mourinho no Real faz pouco tempo e seu trabalho já vem mostrando resultado. Os merengues levaram na última temporada a Copa do Rey e a Champions, “La Decima” e o Real ainda ficou em terceiro no Espanhol. Dificilmente o treinador tri campeão da Champions trocaria o time espanhol pela seleção canarinho.

Já o segundo, que ganhou fama internacional durante a passagem pela Juventus e que conquistou bons resultados em equipes menores antes do treinar o time de Turim, atualmente treina o Guangzhou Evergrande, da China.

Lá, ao lado de Conca, foi campeão chinês e asiático e terminou o último Mundial de Clubes em quarto lugar, ao ser eliminado nas semifinais pelo Bayern, que foi o campeão e depois perdeu para o Galo Mineiro na disputa do terceiro lugar.

Além dessa passagem recente pelo futebol chinês, Lippi tem em seu histórico, a conquista de uma Champions em 1996, com a Juventus e o Mundial do mesmo ano com a equipe de Turim. Além das conquistas com os clubes, o italiano foi campeão mundial pela Azurra em 2006, na Copa da Alemanha.

Desta forma, acho que o treinador estrangeiro com melhores chances de treinar nossa seleção seria Lippi, pois tem currículo, tem experiência e não tem problemas tão sérios seja para trocar de projetos e ou sobre acertos financeiros.





terça-feira, 8 de julho de 2014

Sobre a seleção e a Copa



Hoje é um dia triste, triste e inesquecível. A derrota fragorosa que a seleção sofreu para a Alemanha, no Mineirão mostrou que muita coisa precisa ser mudada no nosso futebol. Nunca concordei com a escolha do Felipão para a seleção. Não gosto do estilo de trabalho dele e não achava correto que o técnico, recém-rebaixado para a série B, com uma grande equipe brasileira, assumisse a seleção nacional.

A preparação do Brasil para a Copa foi um acumulo de equívocos. Para substituir Dunga, que fracassou em 2010, veio Mano Meneses, que hoje tem consciência de que errou ao deixar o time que brigava pelo campeonato brasileiro, para embarcar nessa canoa furada. Após uma série de infortúnios, como a eliminação precoce na Copa América da Argentina e a medalha de prata diante do México na olimpíada de Londres, Mano caiu.

Mesmo tendo ganhado dois Super Clássico das Américas, foi substituído por Felipão. O gaúcho levou a Copa das Confederações, mas não teve sucesso na Copa do Mundo em casa. Não será a substituição do técnico, dizem que Tite vem para o lugar de Felipão, que resolverá essa situação. É necessária uma ampla reformulação estrutural do nosso futebol, envolvendo estrutura e mentalidade.

Para isso, será preciso tempo, assim como aconteceu com os alemães que iniciaram esse processo em 2000, após um vexame na Eurocopa daquele ano e que já vem mostrando resultados interessantes tanto para os clubes, como para a seleção. Somente após essa real mudança de rumos é que o Brasil voltará a ter um futebol nos moldes que fez a canarinho ganhar o respeito que adquiriu nesses 100 anos de história.

Aos jovens torcedores

Faz 12 anos que o Brasil não sabe o que é ser campeão do mundo. Esse intervalo garantiu uma grande parcela de nossa população sem saber o que é gritar campeão. Era mais do que esperado que nessa Copa, muitos pequenos torcedores tivessem essa alegria, que infelizmente não se confirmou.

Vi hoje após a partida muitos garotos chorando copiosamente a derrota que foi muito doída, para quem como eu, já acompanhou muitas copas. Essa foi minha sétima copa e ao ver esses garotos nessa situação, me lembrei da Copa de 90 na Itália. Minha primeira Copa e imediatamente veio a lembrança da minha reação ao gol do Caniggia, que nos eliminou nas oitavas de final.

Chorei como esses meninos e passei o resto do dia inconsolado pela decepção futebolística – a primeira, mas não a mais doída - Tal tristeza só acabou ao final do ano, quando meu time se tornou campeão brasileiro pela primeira vez. Felizmente, já na Copa seguinte, tive a felicidade de ver a seleção campeã, o que espero que aconteça com esses garotos o quanto antes por que assim como eles, eu também estava e continuo ansioso para gritar é campeão.

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Dois pesos e duas medidas

Assim caminha a nossa sociedade. Tempos atrás, as falas de uma jornalista foi o centro de um amplo debate entre os brasileiros. A âncora de um telejornal ao comentar sobre a ação de um grupo de “justiceiros”, que agrediu, despiu e prendeu um jovem infrator a um poste, justificou tal ação, lembrando que o estado é inoperante, quando o assunto é segurança pública e para arrematar, ainda fez troça com os defensores dos direitos humanos, dizendo para os mesmos adotarem um bandido.

A fala dessa senhora gerou um debate sobre as liberdades de expressão e de imprensa. Militantes dos direitos humanos acionaram a justiça alegando que como usuária de uma concessão pública, ela não tinha o direito de fazer piada com os direitos humanos e que ao fazer apologia ao crime, estaria também ela cometendo crime. Assim sendo, era cabível punições à ela e a emissora onde ela trabalha.

Tal ação foi o suficiente para que boa parte da sociedade, principalmente os grupos mais conservadores elegessem sua nova musa inspiradora e defendessem a sandice praticada pela jornalista, taxando seus críticos de censores e antidemocráticos, ignorando o fato de o comportamento dela caracterizar o crime de apologia ao crime.

Pois bem, o tempo passou, o caso esfriou e agora poucos dias atrás, a justiça atendeu ao pedido da equipe de um representante desses conservadores, para que fossem feitas buscas e apreensões de equipamentos eletrônicos que teriam sido utilizados para propagar críticas ao representante do conservadorismo brasileiro.


Como já era esperada a repercussão deste absurdo não teve o mesmo tamanho que a do caso anterior. Isso demonstra apenas que os conservadores continuam a utilizar os espaços que possuem para propagar suas idéias e atrasos, independente das contradições que seus atos produzem. Por que será que esse povo – cheiroso como classificou tempos atrás uma jornalista representante dessa massa – agora se cala diante do absurdo ocorrido no último dia 13? Onde estarão esses defensores da liberdade de expressão de outrora? Estariam eles ocupados demais acompanhando a Copa do Mundo que eles tanto criticaram?  

Tal omissão de agora serve apenas para mostrar que esses senhores não perdem o péssimo hábito de adotar dois pesos e duas medidas adaptando os mesmos conforme seus interesses.