domingo, 18 de novembro de 2012

É Hepta!

Brasil Heptacampeão Mundial de Futsal - Reuters

Foi um jogo dificil e disputado, como aliás já era previsto por quem acompanha o futsal mundial. Brasil e Espanha reeditaram em Bancok, na Tailândia, a final da Copa do Mundo de quatro anos atrás, no Rio de Janeiro.

A partida começou de forma bastante disputada, mesmo com as duas equipes priorizando estudar o adversário. Os espnahóis mostraram mais volume de jogo e rapidamente dominaram as estatísticas, já o Brasil se posisionou de forma a explorar os contra-ataques, com isso, foram poucas as chances reais de gol de ambos os lados.

Para o segundo tempo, o técnico Marcos Sorato colocou Falcão em quadra e com isso nossa seleção ganhou mais ofensividade passando a sufocar o adversário. O sufoco funcionou e aos cinco minutos do segundo tempo, o jogador Neto (que disputou o prêmio de melhor jogador da competição), abriu o placar, batendo de primeira no canto esquerdo do arqueiro espanhol.

Mas a festa não durou muito tempo e cinco minutos depois Torras, aproveitou um rebote para igualar o marcador. O gol desorganizou o Brasil e a Espanha virou a partida em seguida. Com a vantagem no placar a Espanha voltou a pressionar e assutou novamente a seleção ao acertar um chute no travessão, após uma cobrança de falta.

Faltando poucos minutos para o fim da partida, a seleção brasileira optou por jogar com o goleiro linha, ampliando o poder ofensivo, mas abrindo mão da defesa. Após esta mudança, o Brasil chegou ao gol de empate com Falcão, o melhor jogador de todos os tempos acertou um belo chute para marcar seu 340º gol com a camisa da seleção (ampliando a marca que faz dele o maior aritlheiro das seleções brasileiras).

Após o empate foi a vez de o Brasil ampliara pressão e buscar o gol que daria o título a equipe, sem a necessidade da prorrogação, mas ele não veio e o grito de hepta, ainda teve que esperar mais um pouco para tomar as ruas.

Veio a prorrogação e com ela um primeiro tempo disputado, mas sem gols, o que indicava nova decisão por pênaltis (como aconteceu quatro anos atrás no Rio de Janeiro). Porém, faltando 19 segundos para o fim, Neto mostrou novamente por que merece o prêmio de melhor jogador do Mundial e após uma bela arrancada pela esquerda, emendou um chute indepensável para o goleiro Juanjo. O jogo estava ganho e o Brasil pode finalmente comemorar mais uma conquista do nosso futsal.



quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Carta Aberta aos Deputados Federais

O episódio ocorrido na noite de ontem , 6 de novembro na Câmara dos Deputados em Brasília foi, mais do que vergonhoso, foi um crime. Aprovar a mudança na partilha dos royalties gerados pela indústria petrolífera é algo que transpassa a legalidade e beira a insanidade. Não existem argumentos lógicos para defender esta causa. Os recursos referentes aos chamados royalties do petróleo devem permanecer com os produtores desta riqueza e não ser dividido entre todos as unidades federativas do país. 

Aos que alegam que o subsolo pertence à União e por isso é correto que e faça tal mudança, lembro aqui que tal argumento serve também na questão dos royalties da mineração e defender que cidades não produtoras de minérios, ganhe dinheiro com essa indústria em detrimento de cidades como Ipatinga em Minas Gerais e ou cidades do Pará, que é um dos estados onde esta indústria tem forte presença.

O mesmo se aplica na questão petrolífera. Não tem lógica que cidades não produtoras desses recursos naturais tenham algum tipo de compensação financeira por parte das empresas do setor. Cada município e ou estado deve buscar meios de gerar recursos financeiros com o que pode produzir e não tirar proveito de riquezas vizinhas. Por isso, volto a afirmar que a votação de ontem foi a "legalização" de um assalto aos cofres públicos.

Outra questão que foi ignorada ontem, foi a questão do respeito aos contratos já celebrados. Com o comportamento dos parlamentares ontem, voltei imediatamente a 2001, quando o discurso dos opositores do PT apostava no medo de que um possível futuro governo petista não respeitasse os contratos vigentes, o que segundo eles traria uma série de problemas para a economia do país. 

Pois bem, o tempo passou. Veio a eleição, a vitória de Lula, que quatro anos mais tarde se reelegeria e na eleição seguinte faria sua sucessora. Os contratos vigentes foram todos respeitados, a economia não desandou, pelo contrário. E a oposição, mudou de discurso, ou pelo menos de prática e agora atropela os contratos existentes e tudo isso pensando apenas nos dividendos que o setor gera e que com este monstrengo jurídico, parte dele cairá nos bolsos de quem não os merece.

Espero que a presidenta Dilma vete este absurdo e que caso isso não aconteça, os nobres senhores do Supremo Tribunal Federal (STF), capitaneados pelo novo Herói Nacional, façam justiça e garantam a não aplicação dessa covardia pretendida pelos parlamentares. 

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Mais um luto na imprensa

Na última quarta-feira, foi às bancas a última edição do tradicional Jornal da Tarde, que pertencia ao Grupo Estadão. Foi o último episódio da rica história deste jornal que marcou a hsitória da imprensa paulista e brasileira e agora toma o mesmo rumo que outros símbolos do jornalismo brasileiro, como o Jornal do Brasil, que encerrou sua edição impresa em 2010 (aqui) e (aqui).

Com isso, a lista de jornais tradicionais que encerraram suas atividades, ganha agora mais um nome e deixa preocupado, que se interessa pela história do jornalismo brasileiro. Entre os impressos que marcaram nossa história e pararam suas prensas temos o Diário Carioca, o Diário de Notícias, o Última Hora, o Correio da Manhã, o Jornal do Brasil, entre outros e agora o Jornal da Tarde.

Cada um desses nomes, marcaram a história do nosso jornalismo de uma maneira diferente. Grandes profissionais estiveram presentes em suas redações. A cada notícia de encerramento de suas atividades, os jornalistas devem refletir sobre os rumos que o jornalismo e a comunicação está tomando no Brasil. Não apenas em relação aos jornais, mas também nas outras formas de comunicação.

Nosso jornalismo está a cada dia com uma qualidade inferior a de tempos atrás, assim sendo é hora de a categoria assumir este debate para buscarmos o resgate do jornalismo, mais voltado para a qualidade da informação, onde o tempo e os interesses financeiros não se sobreponham de maneira tão avassaladora sobre as práticas dessa profissão que é ao mesmo tempo um arte e uma profissão de fé.

Desrespeito com o dinheiro público

Todos sabem que a ideia de lançar o Rio de Janeiro como candidata a sede do Pan Americano, lá em 2007, era o início de uma caminhada que agora já tem data para o seu término, que será em 2016, quando a cidade maravilhosa receberá os Jogos Olímpicos.

Entretanto, o tempo mostrou que planejamento não é o forte dos senhores resonsáveis por essa empreitada. Afinal seria lógico que muitos dos aparelhos utilizados lá atrás, fossem novamente ocupados pelas competições em 2016, entretanto, isso não acontecerá.

A "organização" dos jogos, destruirá e ou abandonará vários locais de competição para construir novos. Entre eles, podemos citar aqui dois locais, que custaram muito caro aos cofres públicos e ao que tudo indica, não serão reaproveitados. Me refiro ao Velódromo, que será desmontado para que outro, mais moderno seja construído, gastando ainda mais recursos públicos. A nova arena do ciclismo será construída a poucos metros da atual. 

No local da atual arena das bicicletas, será construído um novo parque aquático. Não satisfeito em não ter aproveitado o tradicional Júlio Delamare, no Maracanã para o Pan daquele ano, quando preferiu construir o Parque Aquático Maria Lenk, que ao que parece, não estará na Olímpiada, pois deve ser substituído pelo parque que será construído em Jacarepaguá.

Somente a construção do novo Velódromo do Rio, terá um custo estimado em R$ 134 milhões, sendo que para reformar o atual o custo estimado cairia para R$ 126 milhões. Ao que parece, a diferença de R$ 8 milhões é encarada como "míseros trocados" por estes senhores.

Assim como vem acontecendo com as obras da Rio 2016, podemos ver na cidade, alguns problemas sérios, ainda que desnecessários em relação as obras da Copa de 2014. Em relação ao mundial, a novidade do governo Sérgio Cabral é defender que o Maracanã, seja reformado e que tanto o estádio Célio de Barros, que já abrigou grandes provas de atletismo e também treinos de atletas importantes como João do Pulo, seja demolido para ser construído alguns metros a frente. 

O mesmo aconteceria com o Parque Aquático Júlio Delamare, que assim como os estádios de futebol e atletismo, já abrigou grandes competições. No caso do Célio de Barros e do Júlio Delamare, eles dariam lugar a estacionamentos, o que é um absurdo, pois tais vagas poderiam ser cosntruídas nos locais onde o projeto exige que sejam recosntruídas essas duas arenas.

Esse comportamento demostra que estes senhores não respeitam nem os cofres públicos e nem a história do esporte e da cidade. São esses senhores que querem transformar o país em uma potência esportiva, mas não percebem e ou fingem não perceber que caso esse dinheiro não fosse jogado fora, mas aplicado de maneira responsável na construção de espaços para desenvolver o esporte, poderíamos alcançar esse objetivo de maneira mais rápida.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Uma democracia torta

O processo eleitoral americano, se aproxima do fim e a definição entre os candidatos Obama e Romney levanta algumas questões importantes da democracia estadunidense para serem analisadas. Inicialmente temos que analisar a formação do sistema federalista dos EUA, que funcionam de forma quase perfeita e que sim, deveria ser seguido por muitos países que se definem como Repúblicas Federativas. Mesmo mantendo uma forte ligação nacionalista, os 50 estados que compõem a federação, preservam um forte grau de independência entre eles.

Outro ponto positivo do sistema eleitoral da terra do Tio Sam é a não obrigatoriedade do voto, fazendo do mesmo um verdadeiro direito, sem que o mesmo seja também uma obrigação. Entretanto, ao meu ver, essas são as únicas coisas boas da democracia norte-americana. As demais características, para mim, são retrocessos no processo democrático.

A falha que mais me chama a atenção, é a votação ainda acontecer com cédulas de papel, já passou da hora de o país com forte desenvolvimento tecnológico, adotar sistemas eletrônicos de votação, que agilizem o processo e também evitem fraudes como a que elegeu Bush tempos atrás. Também, não acho correto que o voto do cidadão seja ignorado, como acontece por lá, através da adoção do chamado colégio eleitoral. O candidato mais votado em cada estado, fica com todos os votos do colégio daquele estado. Se a proporcionalidade fosse respeitada, teriamos algo mais proximo da vontade popular e portanto, mais democrática, mas não é isso que acontece.

Já que os Estados Unidos são a terra da chamada "democracia moderna", deveriam ter um sistema mais democrático e que respeitasse mais a vontade do eleitor que exerceu seu direito de cidadão ao votar em um determinado candidato. Com o colégio eleitoral, a população fica sem o poder de definir quem será o presidente, fazendo da democracia uma verdadeira farsa naquele país. Outro ponto negativo do sistema é a falta de espaço para outros partidos, uma vez que apenas Republicanos e Democratas tem espaço para o debate político. A eleição polarizada, da forma como acontece por lá, também é ao meu ver um ponto negativo deste sistema "democrático".


terça-feira, 23 de outubro de 2012

Um episódio didático

Estamos chegando ao final de um importante capítulo de nossa história política. Em breve, saberemos quais serão as penas impostas aos condenados no chamado "Escândalo do Mensalão". A história, que durou tantos anos, finalmente terá seu capítulo final e mostra que assim como diz a sabedoria chinesa, os momentos de crise, são também de conhecimento e aprendizado.

O Mensalão já classificado por muitos como o maior escândalo da história do Brasil, serviu para, ensinar à alguns dos envolvidos, que a biografia, não serve e jamais servirá como escudo e ou salvo conduto para se fazer o que quizer, independente dos objetivos a serem alcançados. Maquiavel, está morto há anos e o tempo mostrou que os fins não justificam os meios. Sempre defendi que os envolvidos no escândalo, respondesem pelos seus atos, como aconteceu e fossem condenados pelos erros cometidos.

Porém, vejo também que assim como a classe política apresndeu com essa história, o judiciário também seguiu o mesmo caminho, afinal, os juízes da Suprema Corte jamais trabalharam desta forma e com o mesmo empenho demostrado neste caso. Hoje, é fácil classificar o Mensalão como sendo o maior escândalo político brasileiro, afinal, muitos de seus antecessores foram devidamente ignorados pelos poderes envolvidos. Discordo da tese amplamente defendida por boa parte da população e também pelos juristas, afinal esse escândalo, não gerou o impeachement do Presidente, democraticamente eleito e reeleito logo após o estouro dessa história.

Estranho o fato de o único escândalo político que resultou na perda de mandato do presidente, não tenha gerado condenação ao mesmo no Supremo Tribunal Federal, que condenou os mensaleiros. Também estranho o fato de pessoas como Paulo Maluf, procurado até pela Interpol e que não pode sair do Brasil, exatamente por isso, não tenha condenação em nenhuma instância da justiça e nomes como Genuíno e Dirceu tenham sido condenados, ainda que merecidamente.

O Judiciário, aproveitou o caso do Mensalão para iniciar uma trajetória em direção a luz e a transparência, fazendo finalmente o que não fez durante anos. Por que estes senhores não julgaram processos contra os políticos envolvidos no escandaloso esquema de enxugamento da máquina, conhecido como "Privataria Tucana"? Por que participantes de outros escândalos, que tanto chamaram a atenção da sociedade também não foram julgados e condenados pelo STF?

Eu respondo. Os nobres ministros do STF, com o caso "Mensalão", sairam de um longo e tenebroso período de ibernação, chamando para si as responsabilidades que cabem aos membros do Poder Judiciário. Essa foi a maior das liçoes deixadas por essa história. A lei existe e ela deve ser respeitada por qualquer cidadão e ao que estamos podendo ver o judiciário finalmente atentou para essa questão, espero que tal comportamento seja como uma bolha que em breve irá estourar. Torço para que tal comportamento finalmente se torne algo permanente entre nossos senhores de preto.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Carta Aberta à Marco Aurélio Mello



Pois é, depois de um longo período finalmente saiu a edição de setembro da sessão Carta Aberta, desse blog e ela é destinada ao Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio Mello. E ao contrário do que muitos poderão pensar tal  motivação, não é baseada nos meios, rumos e fins do julgamento do processo 470,  popularmente  conhecido como mensalão. Não quero e não vou aqui julgar, essas  questões relacionadas ao comportamento dos senhores da Corte Suprema nesse episódio,  não considero que este espaço - a sessão Cartas Abertas - seja apropriado para isso, o Blog O Observador até seria, mas isso não vem ao caso agora.

A motivação desta carta acontece por causa de uma declaração dada por este senhor durante uma entrevista ao jornalista  Kenedy Alencar.(aqui) Ao ser perguntado sobre o Golpe Militar de 1964, o ministro saiu-se com uma pérola digna de o colocar na  disputa do prêmio Fanfarrão do Ano  2012. "Um mal necessário, tendo em conta o que se avizinhava". Em seguida Alencar faz a seguinte pergunta: O senhor acha que havia  ali algum risco de ditadura comunista, como algumas pessoas falam? E a resposta de Marco Aurélio é a  seguinte: "Teríamos que esperar para ver e foi melhor não esperar."  

Não sou crítico ferrenho de nenhum dos senhores que compõem o STF, mas costumo acompanhar as decisões da corte e emitir opiniões pontuais a cada votação, mas reservando-me o direito de discordar ou não dos votos de cada ministro. Já concordei com alguns e discordei de outros dependendo da matéria  votada, mas sem demonstrar algum tipo de preferência e ou  favorecimento a nenhum deles.

Porém, vendo tal declaração deste senhor que pautou sua carreira no chamado "Estado Democrático de Direito", acho um ultraje que ele considere regimes exceção, como "um mal necessário" e que foi melhor dar um golpe, antes que outros pudessem tomar tal atitude. deixo  aqui algumas  perguntas importantes para esse senhor: E a justiça onde ela se encaixa nisso? O direito serve para que então? O  que devemos fazer com a nossa democracia, que custou tanto a tantos de nossos patrícios?

Senhor ministro, suas declarações, além de serem estupidamente infelizes, mostram que o senhor não honra a toga que veste. É lamentável que alguém que queira justiça, condição fundamental para quem atua no judiciário defenda a atrocidade que foi o  golpe de 64. Além disso, tal posicionamento pode levantar uma  importante questão: Se a deposição de Jango em 64 e a consequente tomada do poder pelos militares foi algo necessário para  colocar "ordem" no país, pode ser que algum petista devolva a pérola, alegando que o mensalão, também fora algo necessário para que a governabilidade fosse mantida e assim o país  continuasse avançando. 

Desta forma, os envolvidos no escândalos poderiam solicitar  uma espécie de anistia e assim sendo, ficariam livres das implicações legais e jurídicas, que envolvem os chamados mensaleiros.Com isso veríamos hoje esses cidadãos tão livres quanto os torturadores do período militar. Caso esse cenário fictício ocorresse, teríamos que providenciar um divã para o judiciário, onde analisaríamos se tal poder seria realmente  necessário para a  nossa sociedade contemporânea.

Com isso  tudo fica aqui a dúvida: Será que esse senhor possui reais condições de julgar as pessoas que ele julga?  Sinceramente eu acredito que não.