quarta-feira, 19 de agosto de 2015

E lá se vão seis anos

Em uma quarta-feira, 19 de agosto de 2009, foi publicado o primeiro texto do Blog O Observador, a pauta era a triste realidade do sistema carcerário brasileiro, que não mudou nada de lá pra cá. O blog que surgiu com a idéia de tratar apenas sobre comunicação, mas com o tempo acabou abraçando outros temas e já publicou também sobre política, direitos humanos, esporte e cultura.


De lá pra cá, foram centenas de textos mostrando inclusive a diversidade editorial do mesmo. Algumas sessões surgiram neste tempo e se esgotaram tempos depois. Nesses anos, o blog expôs opiniões sobre temas diversos e apresentou figuras importantes para a sociedade. Entre os personagens citados, estão figuras como Dom Hélder, Fanon, Gramsci, Kátia Abreu entre tantos outros.


Apesar de ficar por diversas vezes por longos períodos sem novas publicações, o espaço segue firme, inclusive abrindo espaço para outros escritores. Que venham mais textos diversos sobre temas variados, apresentando nomes importantes para a sociedade que são poucos conhecidos pela ampla maioria da população.


segunda-feira, 20 de julho de 2015

Frantz Fanon, um libertário

Nascido em Martinica, no dia 20 de julho de 1925, Frantz Fanon Omar, foi um psiquiatra, filosofo, escritor e revolucionário, cujas obras tratam de estudos pós-coloniais, teoria crítica e marxismo. Como intelectual Fanon estava entre os radicais políticos e era marxista e humanista. Sua maior preocupação era a psicopatologia da colonização e do humano social e as conseqüências culturais da descolonização.

Em seu trabalho como médico e psiquiatra, Fanon apoiou a Guerra de Independência da Argélia, compondo a Frente de Libertação Nacional da Argélia. Sua vida e sua obra inspiraram movimentos de libertação nacional na Palestina, no Sri Lanka, nos Estados Unidos e na África do Sul.

Frantz Fanon era filho de um descendente de escravos com uma filha “ilegítima” de um europeu, da Alsácia com uma africana.  Sua família era de classe média e por isso Fanon, teve condições de alcançar uma boa formação.

Com a tomada da França pelos nazistas em 1940, tropas navais francesas foram obrigadas a permanecer na Martinica. A partir daí, os marinheiros franceses assumem o governo do território caribenho e iniciaram um governo opressor. Fanon faz duras críticas ao governo da ilha, principalmente por conta dos abusos e o racismo praticado pelo governo dos militares.

Aos 18 anos, Fanon foge de Martinica, indo para a vizinha Dominica, então colônia britânica, onde se juntou as Forças Francesas Livres. Lá ele se alistou ao exército francês gratuito e se juntou a um comboio aliado que se dirigiu para Casablanca, no Marrocos. Dali foi transferido para a Argélia. Depois disso, chega ao continente europeu, onde em 1944, foi ferido em batalha na cidade de Colmar. Fanon é condecorado com a Croix de Guerre.

Com a derrota dos nazistas, o regimento a que Fanon pertencia, passa por um processo de “embranquecimento” e todos os soldados não-brancos foram enviados para Toulon, de onde foram transferidos mais tarde para a Normandia, onde aguardaram o repatriamento.

Em 1945, Fanon volta a Martinica, onde permanece por um curto período. Lá trabalha na campanha parlamentar de Aimé Césaire, que fora seu professor e foi uma grande influência na vida de Fanon. Frantz permanece na Martinica até completar seu bacharelado, retornando depois para a Europa, onde estuda medicina e psiquiatria.

Após se formar em psiquiatria no ano de 1951, Fanon faz residência com Fraçois Tosquelles, que revigorou o pensamento de Fanon, enfatizando o papel da cultura na psicopatologia. Em 1953, ele via para a Argélia, onde trabalha em um hospital psiquiátrico, onde permanece até sua deportação em janeiro de 1957.

Ainda na França, em 1952, Fanon escreveu seu primeiro livro, Pele Negra, Máscaras Brancas, onde analisa os efeitos psicológicos negativos da colonização principalmente sobre os negros. O texto foi a tese de doutorado de Fanon, defendida em Lyon, então intitulada: “Ensaio dobre a desalienação do Negro”. Fanon publicou a tese devido a insistência do filósofo Francis Jeanson, líder do movimento de independência da Argélia.

Em “Os Condenados da Terra”, publicado pouco antes da morte de Fanon, ele defende o direito de um povo colonizado a usar a violência para lutar pela independência, além de delinear os processos e forças que podem levar a independência ou neocolonialismo nacional durante o movimento que tomou conta de grande parte do mundo após a Segunda Guerra Mundial. Seu livro foi censurado pelo governo francês, pois defendia que uma vez que o colonizador não considerava o colonizado como ser humano, o colonizado poderia sim utilizar da violência para assegurar sua independência.

Fanon faleceu em Bethesda Maryland, no dia 6 de dezembro de 1961 sob o nome de Ibrahin Fanon, foi enterrado na Argélia e depois foi transferido para o cemitério de mártires em Ain Kerma, no leste da Argélia.

quinta-feira, 16 de julho de 2015

Ser cidadão

A nossa juventude hoje chora,

chora por vários motivos

entre eles a fome,

a falta de amor ao próximo e a si mesmo.



Pessoas se drogam

acreditando fazer uma grande viagem

uma viagem que não leva a nada

a não ser a morte


Pessoas não respeitam o próximo

por eles serem diferentes

mas afinal toda a humanidade é diferente,

pois somos brancos, negros, orientais, ricos ou pobres

mas perante nosso ser supremo, somos todos iguais

pois fomos criados a sua semelhança


Mas isso um dia mudará

se soubermos lutar pelos nossos direitos

e fazer com que sejamos todos iguais


Afinal a humanidade já deveria saber

que nós não somos, nem melhor, nem pior,

apenas diferentes.

O COB e o xeque mate

Ainda no rastro da polêmica envolvendo atletas militares, que estão representando o Brasil no Pan Americano de Toronto no Canadá, o Comitê Olímpico Brasileiro (COB), se pronunciou sobre a prática de alguns atletas, que por serem militares, comemoram suas conquistas prestando continência a bandeira e ao hino nacional.

Em nota oficial, a entidade se posicionou afirmando que “...entende, portanto, que a continência, além de regulamentar, quando prestada de forma espontânea e não obrigatória, é uma demonstração de patriotismo, sem qualquer conotação política, perfeitamente compatível com a emoção do atleta ao subir no pódio e se saber vencedor. Segundo muitos deles, representa também um reconhecimento pelo apoio que recebem das Forças Armadas e uma manifestação do orgulho que têm de representar o país”.

Pois bem, tal posicionamento apresenta alguns problemas. Imaginemos que os atletas resolvam demonstrar sua fé, ao chegarem ao pódio? E ai? Como a entidade máxima do esporte olímpico no Brasil reagiria? Seria classificado como um comportamento ideológico e, portanto, proibido?

Outra dúvida levantada pela nota se refere, ao “... apoio que recebem das Forças Armadas...”. Imaginemos então, que atletas militares ou não, que defendam clubes, passem a cantar o hino de seus clubes enquanto estão no pódio. Seria algo surreal.

Mas o mais estranho dessa história, é que o anúncio do COB, sobre esses comportamentos, se deu logo após a nadadora Joanna Maranhão, que ganhou uma medalha de bronze e conquistou um recorde sul americano, neste Pan, se manifestou contrária a redução da maioridade penal, considerado pela entidade como um comportamento ideológico.

Com esta postura, o Comitê Olímpico demonstrou que tem lado sim e infelizmente, mas não surpreendentemente, não é um lado proveitoso. Mais uma vez, uma entidade esportiva brasileira leva um xeque mate da realidade. 

quarta-feira, 15 de julho de 2015

O COB em xeque

Dias atrás, antes do início do Pan Americano de Toronto, no Canadá, o Comitê Olímpico Brasileiro, solicitou aos atletas brasileiros que participam da delegação presente na competição, não manifestassem de forma ideológica durante o evento. A decisão da entidade veio a público poucos dias depois da divulgação e repercussão do vídeo feito pela nadadora Joanna Maranhão, se posicionando em relação a votação da PEC que reduz a maioridade penal.

Agora, durante a competição no Canadá, alguns atletas que conquistaram medalhas, prestaram continência a bandeira, enquanto estiveram no pódio e esse comportamento tem gerado algum debate. A continência é uma referência ao militarismo, que queiram ou não, é sim uma ideologia. Portanto, tal comportamento é algo irregular, segundo o Comitê Olímpico Internacional (COI), que tem histórico de coibir manifestações político/ideológicas durante seus eventos.

É preciso agora, que o Comitê Olímpico Internacional e também o brasileiro se manifestem perante essas atitudes. Entretanto, é necessário lembrar que os atletas que tiveram tal comportamento são além de atletas, militares. Muitos deles se alistaram para representar o Brasil, nos últimos Jogos Mundiais Militares realizado no Rio de Janeiro, alguns anos atrás e por isso, seria natural a manifestação vista em Toronto.

Acho que a manifestação é algo válido e deve sim ser respeitada, entretanto, é preciso ressaltar mais uma vez que as entidades que organizam/participam do evento, se opõem a essa iniciativa. Portanto, é chegada a hora de os envolvidos se manifestarem.

Caso o Comitê Olímpico Brasileiro, mantenha o posicionamento contrário as manifestações ideológicas, estará censurando os atletas. Caso deixe esses episódios passarem em brancas nuvens, estarão adotando o famoso “dois pesos e duas medidas” e por isso deverão se explicar para a sociedade.

Portanto, o Comitê Olímpico Brasileiro, está em xeque e precisa sair dessa o quanto antes e de maneira, que não seja tão prejudicial para ele, para o esporte e para a democracia.


sexta-feira, 26 de junho de 2015

A flor mais autóctone da Revolução Cubana

Sempre que se fala, pensa e ou estuda-se a Revolução Cubana, de 1959, quando o Movimento 26 de julho depôs o ditador Fulgêncio Batista e instaurou um regime comunista na ilha, lembramo-nos de nomes como Fidel Castro, Raul Castro, Cienfuegos, Che Guevara, mas pouco se fala de outra figura fundamental para o sucesso dos guerrilheiros comunistas.

Falo de Celia Sánchez, uma das líderes do Movimento 26 de julho e que fora da ilha é pouco conhecida, mesmo pelos historiadores e pesquisadores que estudam a revolução, o governo revolucionário e o país. Na ilha, Sánchez é reconhecida como heroína, seu nome está nas praças, escolas e principalmente motiva diversas mães da darem seu nome as suas filhas em forma de homenagear, a líder revolucionária.

Celia Sánchez Manduley, fundadora e dirigente do Movimento 26 de julho na Província do Oriente, nasceu em 9 de maio de 1920, na localidade de Media Luna. Filha de Manuel Sánchez e Acácia Manduley, teve nove irmãos. Seu pai era médico e atendia os camponeses da região, onde era muito querido pela população.

O doutor Manuel, era filiado ao Partido do Povo Cubano, popularmente conhecido como Partido Ortodoxo. Quando ainda era adolescente, Celia passou a integrar a juventude do partido, lá conheceu o jovem estudante de direito, Fidel Castro.

Como o partido seguia uma linha populista, combatia a corrupção e as multinacionais, mas era limitado pela ideologia pequeno-burguesa. Por isso Fidel começa a organizar a juventude, defendendo uma linha revolucionária, defendendo os interesses dos camponeses e dos mais pobres, guiados pelo marxismo e influenciados pelo pensamento de José Marti.

Celia ajuda Fidel a organizar a juventude, dando origem ao Movimento 26 de julho. O grupo congregava cerca de 1500 membros. Quando Batista instaura uma ditadura e impossibilita a ação oposicionista de maneira institucional, Fidel e o movimento passam a traçar uma estratégia de tomada do poder por meio das armas.
Para o Movimento 26 de julho, as condições para a ação armada, estavam dadas em Cuba, faltando apenas uma vanguarda reconhecida pelas massas. A ação inicial da guerrilha, foi o ataque ao quartel Moncada. A intenção do assalto era distribuir entre a população, as armas tomadas na ação. 150 jovens participaram da ação, realizada no dia 26 de julho, por isso o movimento passa a ser chamado pela data.

A ação não saiu como o planejado e poucos sobreviveram, mas o movimento passou a angariar apoio popular e teve papel fundamental na luta pela libertação, que aconteceu somente seis anos após o episódio em Moncada.

Em 1953, ano do centenário de nascimento de José Martí, poeta, filosofo e símbolo da luta pela independência de Cuba. Meses antes do ataque a Moncada Celia Sánchez e seu pai e vários companheiros do Movimento fizeram homenagem a Marti colocando um busto dele no ponto mais alto do Monte Turquino. Celia afirmava que a homenagem era para lembrar ao povo, que ainda era preciso concluir a obra iniciada por Martí.
Celia, não esteve no ataque a Moncada, mas participou ativamente da campanha financeira para ajudar os prisioneiros e seus familiares. Com sua dedicação, simpatia e conhecimento da região, Celia organiza o Movimento na região oriental, junto com Frank País e criou uma rede humana de apoio a guerrilha libertadora.

A ação desta rede teve influencia direta na transformação do pequeno grupo de 12 homens, que sobreviveram ao desembarque do Granma, em um Exército Rebelde invencível, que tomou o poder em apenas 25 meses. Assim como no caso do ataque ao quartel Moncada, esta ação, não saiu como o planejado, a ponto de Che Guevara, dizer, que aquilo não foi um desembarque e sim um naufrágio.

Caso os rebeldes conseguissem desembarcar no local planejado, teriam encontrado dezenas de homens liderados por Celia, com toda a infraestrutura necessária para o translado até Sierra Maestra. Quando logo após o desembarque, as forças governistas noticiaram a morte de Fidel, foi Célia quem levantou o moral dos revolucionários, afirmando que Batista mentia ao afirmar que Castro havia sucumbido aos ataques.

Celia, que teve como codinomes, Norma ou Aly, foi o elo entre os rebeldes da montanha e da planície, organizando o fornecimento de remédios, roupas e alimentos, além de conduzir novos combatentes que foram incorporados a guerrilha. Por isso Sánchez foi duramente cassada pelo Exército de Batista, mas sempre com insucessos.

Celia chegou a insistir em ir para o México e colaborar nos preparativos da expedição, mas foi convencida por Frank País a permanecer na ilha e atuar na base de apoio. Em maio de 1957, Sánchez sobe a serra e integra o Exército Rebelde, tornado-se guerrilheira de destaque, passando a ser auxiliar direta de Fidel. Manteve-se próxima a Fidel, até sua morte em 11 de janeiro de 1980. Sánchez fora pioneira na guerrilha de Sierra Maestra, sendo depois seguida por várias outras. Esteve no ataque ao quartel Uvero, a primeira grande vitória dos revolucionários, sobre o Exército de Batista.

Durante sua atuação em Sierra Maestra, Celia atuou também como memorialista da guerrilha, guardando documentos, papéis, anotações, palavras e discursos de Fidel. O dia-a-dia da guerrilha só ficou conhecido, através do Diário de Che Guevara e àdocumentação de Célia.

Sánchez integrou o Comitê central do Partido Comunista Cubano, fundado em 1965, a partir da unificação do Movimento 26 de Julho e o Partido Socialista Popular. Foi secretária do Conselho de Estado de destacou-se como defensora da arte, da história e das manifestações da nacionalidade cubana. A casa em que nasceu virou o Museu da Casa Natal de Celia, repleto de documentos e objetos pessoais, além de álbuns fotográficos de sua família.


Entre as milhares de homenagens do povo cubano à Celia Sánchez, está o monumento erguido no Parque Lênin, projetado por ela, no subúrbio de Havana, que é um dos lugares preferidos da revolucionária que escreveu seu nome na história de seu país.

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Charles Dickens, mestre do suspense e da sátira



O mais popular e humano romancista inglês retratou a Londres de sua época. Aprendeu inglês e latim com sua mãe, mas foi obrigado a deixar os estudos, quando seu pai foi preso, por conta de dívidas. Passou a trabalhar em uma fábrica de tintas, onde permaneceu por vários meses. Retoma os estudos quando seu pai paga as dívidas e reconquista a liberdade.

Depois de deixar a fábrica, trabalhou em um cartório. Alguns anos depois passa a trabalhar como repórter e redator de peças curtas em alguns periódicos, com o pseudônimo de Boz.

Em 1837, Charles Dickens alcança a fama após escrever “Memórias de Sr. Pickwick”, obra publicada em um jornal durante 20 meses, em forma de folhetim, onde retratava alguns de seus amigos de maneira humorada utilizando-se de caricaturas.

Além de Pickwick, Dickens escreveu mais 14 obras, a maioria foi publicada também em formato de folhetim. Em Oliver Twist (1838), o mais sinistro de seus romances, ele descreve os horrores do trabalho nas usinas. A obra é considerada um ensaio social sobre a época.

Em Nicolas Nickeby, escrita em 1839, Dickens associa o cômico ao trágico, condenando os internatos dirigidos por professores perversos e ignorantes. Em 1843, publica A Christmas Carol. Em David Copperfiled, de 1850, um romance autobiográfico, Dickens retrata a vida como a viu em uma época sombria quando trabalhava na fábrica de tintas, quando era criança.

Em vários romances o escritor e jornalista critica as condições econômicas e sociais de sua época. O contraste entre o ambiente dos empregadores e seus subordinados, condições deploráveis do trabalho das crianças, a vida miserável dos pobres e a crueldade da prisão por dívidas, testemunhando o lado mais sombrio da revolução industrial.

Dickens dominava a arte do conto, ora fazia rir, ora comovia os leitores e ou ouvintes, criava tipos variados. Ganhou fama como orador, cria sua própria companhia de teatro e percorre o país, escrevendo peças e representando. Faleceu em 9 de junho de 1870, vítima de um acidente vascular cerebral, foi sepultado na Abadia de Westminster. Em sua lápide, lê-se o seguinte epitáfio:  Apoiador dos pobres, dos que sofrem e dos oprimidos”.